O início de 2026 traz à tona discussões sobre novos hábitos de consumo e sustentabilidade. Com a alta temporada de verão, o volume de óleo vegetal utilizado em residências, hotéis, restaurantes e hospitais cresce significativamente.
O insumo é essencial para o preparo de alimentos, sofre alterações químicas durante a fritura que exigem seu descarte periódico. É neste ponto que especialistas apontam um gargalo ambiental e econômico.
Vitor Dalcin, diretor da Ambiental Santos, empresa especializada na reciclagem desses resíduos, destaca que o momento é decisivo para evitar que toneladas de material contaminante cheguem à natureza. Segundo o diretor, a virada de ano e a mudança de rotina das famílias representam uma oportunidade para a consolidação da logística reversa do óleo.
“A reciclagem correta dos óleos vegetais não é apenas uma medida de educação, mas uma estratégia de economia. Quando entregue a empresas licenciadas, esse resíduo passa por tratamento e se transforma em matéria-prima para a indústria, especialmente na produção de biodiesel, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis”, analisa Dalcin.
A falta de informação ainda é a principal barreira. Os principais danos causados quando o óleo é despejado em ralos ou no solo é enorme e as consequências afetam desde o orçamento público até a biodiversidade:
- Infraestrutura Urbana: O óleo é um dos principais causadores de obstrução em redes de esgoto. O material solidifica nas tubulações, gerando custos públicos elevados para manutenção e prejudicando o tratamento de água.
- Contaminação Hídrica e do Solo: O potencial poluidor é alto, afetando lençóis freáticos e impermeabilizando o solo, o que prejudica a drenagem e a vida vegetal.
- Saúde Pública e Poluição do Ar: A queima irregular do óleo libera nitrosaminas, substâncias cancerígenas que comprometem a qualidade do ar.
- Fauna: A ingestão ou contato com o óleo causa mortalidade imediata em pássaros e peixes.
- Desperdício Econômico: O descarte incorreto ignora o valor de mercado do óleo tratado, que deixa de gerar receita e empregos na cadeia de reciclagem.
- Gasto Energético: A reciclagem do óleo consome menos energia do que a produção de óleo virgem, contribuindo para a redução de gases de efeito estufa.
- Impacto no Turismo: Em regiões litorâneas, o colapso do saneamento causado por gordura pode levar à contaminação de praias (balneabilidade imprópria), afetando a economia local.
“O óleo vegetal descartado incorretamente é um prejuízo financeiro e ambiental. A reciclagem é a única via para transformar esse passivo em ativo econômico”, finaliza Dalcin.