Brasil importa óleo vegetal usado para aviação enquanto reciclagem patina

Enquanto o Brasil recicla menos de 10% de todo o óleo vegetal consumido, o governo federal permitiu, temporariamente, a importação de óleo de cozinha para a fabricação de combustível de aviação.

Embora o Brasil consuma um grande volume de óleo de cozinha, a coleta e o refinamento do resíduo (UCO) ainda não atingiram o nível industrial necessário para atender ao enorme potencial de produção de SAF (Combustível de Aviação Sustentável) projetado para os próximos anos. A infraestrutura de coleta de resíduos ainda enfrenta desafios logísticos para alcançar a escala necessária para o mercado de aviação.

Para Vitor Dalcin, diretor da Ambiental Santos, empresa pioneira na reciclagem de óleo vegetal no Paraná e em Santa Catarina, a importação é necessária porém ambígua, já que ajuda na descarbonização área, por outra, deixa de priorizar a coleta interna e eficiente:

“Há muitos anos o Brasil tem capacidade de reciclagem e empresas sérias que podem absorver demandas como essa, o que não há são campanhas educativas de incentivo a população na reciclagem. As pessoas doam sangue, por exemplo,  porque há campanhas, porque entendem o resultado dessa ação, na questão do óleo, salvo exemplos específicos, a educação fica centrada no setor privado”, diz Dalcin.

O setor de aviação tem metas ousadas de redução de emissões e o SAF é a principal alternativa ao querosene fóssil. O uso de óleo de cozinha usado permite uma redução drástica de emissões de carbono, sendo um insumo estratégico e disputado internacionalmente.

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