Óleo vegetal: da mitologia à tecnologia

Para vencer uma disputa com Poseidon pela proteção de uma cidade, a deusa Atena fez brotar uma oliveira. O óleo poderia ser obtido a partir das azeitonas para usar como alimento, remédio para feridas e óleo de unção. Graças às virtudes da árvore e seu produto, Atena venceu. Desde então, ela é conhecida como a deusa da sabedoria e a cidade recebeu o nome de Atenas – graças ao óleo.

O petróleo surgiu como um passo natural após a invenção da agricultura. A humanidade domesticou plantas – como oliveiras, soja, girassol – e animais para extrair seus óleos e gorduras, respectivamente, e usá-los tanto na alimentação quanto na indústria.

Desde a Grécia antiga e as primeiras civilizações agrícolas, a humanidade desenvolveu habilidades industriais para a produção dessas substâncias que surpreenderiam o próprio Zeus.

Esta produção massiva de petróleo está associada a uma produção proporcional de resíduos. De acordo com a American Fats and Oils Association (AFOA) , os EUA geram 11 bilhões de litros de óleo usado, enquanto na Europa esse número sobe para 1 bilhão e no Brasil, na safra atual,  a produção deverá chegar a 9 bilhões de litros, de acordo coma Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – Abiove. .
Todo este óleo vira um problema depois de usado – a não ser que entre em ação empresas como a Ambiental Santos. A reutilização ou reciclagem, que equivale a agregar valor a esses resíduos, faz parte do modelo de economia circular. Uma variedade de produtos e bioenergia são obtidos a partir de biomassa (resíduos vegetais ou animais) e este processo é semelhante às refinarias tradicionais, porém mais sustentável.

O óleo usado – que tanto encantou os gregos antigos pode ser uma alternativa – é uma alternativa para reduzir a dependência do petróleo e o seu impacto ambiental. 

Óleo será base da criação tecnológica
Vale lembrar que óleos vegetais usados podem ser usados ​​para lubrificação. Com um processo semelhante ao da produção de biodiesel, é possível obter novos biolubrificantes (atenção)  biodegradáveis ​​e menos poluentes que os óleos minerais. Poseidon agradece!

Além de aplicações no setor automotivo, esses resíduos podem ser utilizados nos setores químicos e, nos próximos anos, vai fazer parte da cadeia de produção de bioplásticos a partir de microrganismos alimentados com óleos residuais. Pode anotar e cobrar!

Muitas bactérias têm a capacidade de quebrar os triglicerídeos e incluí-los em seu metabolismo – conseguem transformá-los em outras substâncias, como os bioplásticos. Os biopolímeros demonstraram ter propriedades semelhantes aos termoplásticos derivados do petróleo. Por isso, podem ser utilizados em tecnologia, como a impressão 3D, abrindo um leque incrível de possibilidades.

O óleo que sai da fritadeira pode ter milhares de vidas. O que hoje nos serviu para cozinhar umas batatas fritas fabulosas, amanhã pode ser o bioplástico do cabo da panela.

As moléculas de água ficam livre da poluição causada pelo óleo e vão irrigar as oliveiras que, há centenas de anos, uma deusa como Atena nos deu.


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